“Criadores de porcos e polícia envolvem-se em confrontos no Egipto” foi uma notícia que passou em quase todos os órgãos de informação :
- CM
- DD
- DN
- IOL Diário
- JN
- Público
- RTP
- SIC
Contudo apenas o Público esclarece a conotação económica e religiosa :
Começou assim a ser levada à prática a determinação do Governo egípcio para o extermínio em massa de todos os cerca de 300.000 porcos que há no país, como medida de precaução contra a gripe A H1N1 e medida profilática em geral.
Os peritos das Nações Unidas têm vindo a criticar esta atitude do Governo do Cairo, dizendo que se trata de algo completamente desnecessário e um erro crasso, uma vez que não será a existência de porcos que ajuda a propagar aquela gripe. E até porque no Egipto ainda não surgiu qualquer caso da mesma.
A criação e consumo de porcos no Egipto, país predominantemente islâmico, estão limitadas à minoria cristã, que constitui cerca de 10 por cento da população.
Conhecida a aversão dos judeus e muçulmanos à carne de porco, por ser “impura”, as autoridades egípcias apressam-se a aproveitar-se de um pretexto de saúde pública, infundamentado aliás, para liquidar uma fonte de subsistência e de consumo alimentar de uma minoria religiosa.
Ou de como o uso da religião se torna muitas vezes um instrumento repressivo.
Por isso lamenta-se que apenas uma das fontes noticiosas nacionais tenha dado o devido relevo a tal “pormenor”.
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