Papa pede amor pela Igreja
Na catequese da audiência geral, perante cerca de 30 mil peregrinos reunidos no Vaticano, o Papa admitiu que “a respeito da Igreja, nós homens somos levados a ver sobretudo os pecados, o que é negativo, mas com a ajuda da fé podemos, hoje e sempre, descobrir nela a beleza divina”.
“É na Igreja que Deus se faz presente”, disse o Papa, numa reflexão sobre a figura de de São Germano de Constantinopla, Patriarca que se demitiu e se exilou em polémica com o Imperador Leão III, nos tempo da crise em torno do culto dos ícones, no século VIII.
“Peçamos a Deus que nos ensine a ver na Igreja a sua beleza e a sua esperança no mundo, e nos ajude a ser também nós transparentes para a sua luz”, indicou.
O Papa explicou também que “as imagens santas ensinam-nos a ver Deus na figuração do rosto de Cristo” e em “todos os homens nos quais resplandece a santidade de Deus”.
Ora quem foi esse imperador bizantino Leão III, segundo a Wikipedia ?
Leão III foi denominado Salvador do Império por ter salvado Bizâncio quando esta foi assediada pelos árabes. Intolerante em termos religiosos, Leão III combateu o culto às imagens (movimento iconoclasta), procurando enfraquecer o poder dos mosteiros. Leão e seu filho Constantino V fecharam conventos, confiscaram bens do clero, realizaram desfiles ridículos de monges no hipódromo e combateu o culto à Virgem e aos santos.
Este imperador, que defendeu tão bem as fronteiras do Império e foi tão cruel nas perseguições religiosas, foi exatamente tolerante em termos legislativos. O Código de Écloga (seleção de leis), atribuído a Leão III, simplificou e abandou o Código de Justiniano, substituindo a pena de morte por toda uma série de castigos corporais e instituindo verdadeira proteção à família, à mulher e às crianças.
Por seu lado São Germano de Constantinopla, que Bento XVI enaltece, defendia o culto das imagens e os cultos da Virgem e dos santos, o que contraria o 1º mandamento das Leis de Deus :
“Não farás para ti nenhuma imagem esculpida, nem figura que existe lá no alto do céu, ou cá em baixo, na terra, ou nas águas debaixo da terra. Não te prostrarás diante delas nem lhes prestarás culto, porque Eu, o Senhor teu Deus, sou um Deus cioso: castigo a ofensa dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que Me ofendem” (Êxodo 20, 2-17), segundo se lê no compêndio do “Catecismo da Igreja Católica”.
Para São Germano, a beleza dos hinos, composições poéticas e homilias era tão importante na liturgia como nos locais de celebração, tal como parece ser agora, 1.300 anos depois, para Bento XVI.
À preocupação pelos problemas da sociedade civil, seja por parte do imperador Leão III, com a reforma legislativa ou com a protecção à família, à mulher e às crianças, seja por parte dos governos e ONG de hoje, com a disseminação do uso dos preservativos para controlar a sida, responde este clero com preocupações de ordem simbólica, seja São Germano, com a defesa das imagens e cultos da Virgem e dos santos, seja Bento XVI, com a sua prece para se “ver Deus na figuração do rosto de Cristo” ou “ver na Igreja a sua beleza” ou “a beleza divina”, como se ver-se a exposição nas igrejas do sofrimento de Cristo pregado na cruz fôsse esteticamente belo e agradável.
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