
A beatificação de Nuno de Santa Maria ocorre em 23/01/1918, num contexto político muito próprio :
Estava-se ainda em plena guerra mundial (28/07/1914 a 11/11/1918) ;
Bento XV, Papa desde 1914, procurava afirmação política : promulga o Código de Direito Canónico (1917), “fez diversas tentativas, infrutíferas, para negociar a paz, tendo o Vaticano sido excluido das negociações de paz no final da guerra”, procede à reforma administrativa da Igreja para a adaptar ao novo sistema internacional saído da I Guerra, canoniza Joana d´Arc (1920).
Em Portugal seguem-se momentos conturbados com a instauração da I República Portuguesa, em 5 de Outubro de 1910, sendo Teófilo Braga, nomeado Chefe do Governo Provisório, que promulga a Lei de Separação da Igreja do Estado, em 20 de Abril de 1911, o que enfurece os católicos.
Manuel de Arriaga, eleito primeiro Presidente da República, em 24 de Agosto de 1911, não partilhando do anti-clericalismo republicano, demite-se em 1915, seguindo-se-lhe o republicano Bernardino Machado, Presidente da República de 6 de Agosto de 1915 até 5 de Dezembro de 1917.
Sidónio Pais lidera uma revolta militar e em 11 de Dezembro de 1917 assume a presidência do governo. Apressa-se a publicar, na véspera de Natal, um decreto declarando sem efeito a pena de interdição de residência até então imposta a ministros da religião.
Poucos dias depois, em 27 de Dezembro, assume por decreto a Presidência da República. Actuando despoticamente, o que lhe daria o epíteto de “Presidente-Rei”, inicia uma tentativa de apaziguamento das relações com a Igreja Católica Romana, que estava em guerra aberta com o regime republicano desde 1911.
A 23 de Fevereiro de 1918, justamente um mês após a beatificação de Nuno de Santa Maria, Sidónio Pais alterou a Lei de Separação entre as Igrejas e o Estado, suscitando de imediato feroz reacção dos republicanos históricos e da Maçonaria, mas colhendo o apoio generalizado dos católicos, dos republicanos moderados e da população rural, então a vasta maioria dos portugueses. Com essa decisão também conseguiu o reatamento das relações diplomáticas com o Vaticano, com a nomeação de um encarregado de negócios da Santa Sé em Lisboa a 25 de Julho de 1918.
Resumindo : a beatificação de D. Nuno Álvares Pereira foi um acto político de mútuo interesse para os poderes da altura tanto em Portugal como no Vaticano.
(Fonte: Wikipedia)
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Gostaria de indicar o texto de João Alves das Neves sobre a santificação do D. Nuno, em seu blog: http://joaoalvesdasneves.blogspot.com/2009/04/nunalvares-o-condestavel-de-portugal.html
Caro João Alves das Neves
Agradeço o seu contributo para um mais completo entendimento da figura de Nuno Álvares, e convido os leitores a dar também uma vista de olhos no post citado.
Em altura mais oportuna farei um comentário.
Cordialmente