06
Abr
09

D. Nuno Álvares Pereira (2)

D. Nuno Álvares Pereira conseguiu o respeito do Mestre de Aviz com a sua façanha de derrotar o militarmente poderoso invasor castelhano.


Nessa batalha estavam presentes cerca de 30.000 homens do lado castelhano e 6.000 do lado português. A batalha foi ganha não por uma questão de “poderio” mas antes por uma brilhante estratégia militar, na linha do sucedido nas batalhas de Crécy e de Azincourt, da Guerra dos 100 Anos, em que uso dos arqueiros ingleses derrota exércitos significativamente superiores em número.

D. Nuno Álvares Pereira, um dos 26 filhos (há quem diga que foram 32) do eclesiático Prior do Crato, casa aos 16 anos, e por imposição paterna, com Leonor Alvim, pessoa que, dizem as crónicas, era rica, bonita e, apesar de viúva, virgem.

Leonor morre de parto em 1378.

Desse casamento resultam 3 filhos, dos quais só sobrevive Beatriz, futura fundadora da Casa de Bragança, que vem a falecer em 1415.

Não é pois verdade que D. Nuno se tenha recolhido ao Convento do Carmo, em 1422, pelo “desgosto” atribuido à morte de sua mulher, segundo uns, ou de sua filha, segundo outros.

Sendo a dinastia de Avis recém criada, e num período histórico conturbado, o seu poder afirma-se pela força das armas, papel onde se realça D. Nuno Álvares Pereira, pelo que não admira o reconhecimento que lhe é prestado através da sua nomeação como Condestável do Reino e a concessão de elevados privilégios, honoríficos e territoriais.

D. Nuno torna-se no homem mais rico e poderoso do reino e para garantir a lealdade dos seus apoiantes atreve-se mesmo a ter vassalos, o que era privilégio real, a quem redistribui terras.

Tais condutas suscitam a indignação da restante nobreza e mais tarde a perda de influência a nível militar, pois apesar do cargo de Condestável não é ele quem dirije a conquista de Ceuta , em 1415, onde desempenha papel secundário.

Decaindo a sua importância na corte, a que não seriam alheios os constantes conflitos em que D. João I era chamado a intervir para dirimir questões dos limites territoriais das concessões dadas, não admirará que D. Nuno se tenha recolhido ao convento que fundou mais por ostracismo na corte do que pelos motivos de desgosto alegados.

De “pio e austeridade”, como alegam os católicos, a vida de D. Nuno nada tem.


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